Estes
algoritmos matemáticos são conhecidos como funções
Spline. "Spline é uma curva não-concêntrica,
não-reta e desenhada suavemente através de uma série
de pontos, conhecida também como curva francesa".
Estes modelos matemáticos foram desenvolvidos inicialmente
por Lagrange, Hermite e mais recentemente pelo francês Paul
Bézier, que utilizou em 1972 sua formulação
no sistema Unisurf, para representar formas complexas de um painel
de carro produzido pela empresa na qual trabalhava, a Renault.
Esta
foi a primeira utilização de sistemas computacionais
para modelamento de superfícies em projetos mecânicos.
Atualmente, a formulação proposta por Bézier
sofreu algumas alterações, surgindo os modelos B-Spline
e a mais recente NURBS (Non-Uniform Rational B-Spline), permitindo
maior manipulação e controle da curva ou superfície
gerada, e conseqüentemente, maior versatilidade na representação
de formas complexas.
A seguir, encontra-se uma breve descrição das principais
metodologias Spline utilizadas para a representação
de curvas complexas em sistemas CAD. A representação
de superfícies complexas é uma extrapolação
do conceito utilizado para a representação de curvas
complexas. Todas as metodologias descritas a seguir utilizam-se
equações polinomiais paramétricas para a
representação das curvas. As variáveis X,
Y, e Z estão em função de um único
parâmetro.
2. Curvas de Hermite
Sendo uma das primeiras representações matemáticas
de curvas complexas, Hermite definiu uma curva utilizando uma
equação polinomial, dois pontos e dois vetores tangentes
que determinam sua forma, como ilustra a Figura 1.
A curva proposta por Hermite é definida por um polinômio
e pontos de início e fim, associados a dois vetores, o
que permite um controle razoável sobre a curva. A utilização
e edição dos pontos e dos vetores tangentes são
úteis para o modelamento de formas complexas.

Figura
1: Curva de Hermite
No entanto, utilizando a metodologia de Hermite, os valores dos
pontos e as inclinações dos vetores devem ser atribuídos
numericamente, dificultando a utilização prática
desta técnica.
3.
Curvas de Bézier
Visando eliminar as inconveniências da formulação
de Hermite, Bézier utilizou-se de um polígono para
definir a curva, substituindo os pontos e os vetores utilizados
por Hermite, como ilustra a Figura 2. Este polígono é
aproximado por uma equação polinomial paramétrica,
baseado na equação a seguir:
onde:
P é o ponto da curva (x;y;z) representada pelo polígono
P1 à P4,
U é o valor paramétrico variando de 0 a 1

Figura
2: Representação de uma curva através de
um polígono de controle
Os
pontos do polígono atraem a curva, permitindo manipulações
interativas. As modificações na curva são
realizadas pela edição dos pontos que definem o
polígono de controle. A curva passa pelo primeiro e último
ponto e são tangentes ao primeiro e ao último segmento
do polígono de controle. Um dos inconvenientes desta metodologia
é que apenas permite modificações globais
da curva. A alteração de um ponto do polígono,
altera-se a curva toda.
Uma evolução das curvas de Bézier é
a representação B-Spline, que se utiliza também
de uma equação polinomial paramétrica e pode
ser considerada como uma generalização das curvas
de Bézier, com algumas modificações, permitindo
entre outras coisas, representar uma curva utilizando-se um polinômio
de baixo grau, facilitando os cálculos computacionais,
permitindo também modificações locais da
curva.
4.
Curvas NURBS
Basicamente, a metodologia NURBS (Non-Uniform Rational B-Spline)
baseia-se na metodologia B-Spline, acrescentando duas funções
principais:
- Non-Uniform: Os
vetores (knot) que indicam qual a parcela da curva é
afetada por um ponto de controle individual, não
são necessariamente uniformes;
- Rational: É
possível definir a intensidade (weight) com que cada
ponto de controle "atrai" a curva. Além disso,
também permite a representação de entidades
geométricas primárias: cilindros, cones, e planos,
assim como curvas cônicas, tais como: círculos,
elipses, parábolas e hipérboles
Algoritmos NURBS
permitem um controle mais apurado sobre a geometria, além
da possibilidade de representar uma curva complexa utilizando-se
um polinômio de baixo grau. Em síntese, estas características
significam que mais fatores de controle podem ser aplicados à
curva, de modo que superfícies mais complexas possam ser
representadas com um menor número de curvas. Por estas
razões, a metodologia NURBS se tornou a mais eficiente
para a representação de curvas e superfícies
complexas.
5.
Trajetórias de ferramenta
O método mais utilizado para descrever a trajetória
de ferramenta para usinagem de superfícies complexas é
a interpolação linear de segmentos de retas, utilizando
comandos G01. Existem outras metodologias, como a interpolação
circular/linear e interpolações tipo Spline, neste
caso, para descrever uma trajetória complexa de ferramenta.
Por serem relativamente recentes, estas duas metodologias ainda
são pouco estudadas.
O programa NC gerado utilizando um método Spline não
irá conter os comandos tradicionais, G01, G02 ou G03, mas
uma nova codificação, como ilustrar as linhas de
programa a seguir:
...
N4 G43 Z27.822 H00
N5 Z11.1
N6 G01 Z-2.075 M08 F4000.
N7 POLY PO[X]=(-2.446 ,-.012 ,.006) PO[Y]=(0.,0,0) PO[Z]=(-1.851
,-.031 ,.012)
N8 PO[X]=(-2.393 ,.005 ,-.001) PO[Y]=(0.,0,0) PO[Z]=(-1.643 ,.004
,-.001)
N9 PO[X]=(4.469 ,4.219 ,-.538) PO[Y]=(0,0,0) PO[Z]=(8.291 ,-1.168
,-.792)
.....
Figura
3: Linhas de um programa NC em formato polinomial
A Figura 4 ilustra
as três técnicas de interpolações,
utilizadas para descrever uma mesma trajetória de ferramenta
Figura
4: Métodos para descrever trajetórias de ferramenta
e geometrias complexas
Os
dois últimos tendem a propiciar melhores resultados de
usinagem, reduzindo o tamanho dos programas NC gerados, com a
possibilidade de se trabalhar com maior velocidade de avanço,
reduzindo o tempo de usinagem. Outro fator já documentado,
é a possibilidade de se obter melhor qualidade na superfície
usinagem, utilizando-se interpolações NURBS ou circular/linear.
MSc
Eng. Adriano Fagali de Souza